Saudades porque é Abril. E vêm-me à lembrança os 25 de Abril passados. Ultimamente penso muito num 25 de Abril (não sei quando) que fomos para casa do Paulo e da Olga. E nós, os filhos, ouvimos a Grândola Vila Morena sem parar.
Lembro-me de outro ano (quem sabe o mesmo), com a Rebeca e a Maria, em que eu gritava "25 de Abril sempre, baptismo nunca mais". Se não me engano, o Cavaco Silva era primeiro-ministro na altura. É que lembro-me das pessoas dizerem "e quem não salta é laranjinha".
Lembro-me de muitas outros gritos, muitos outros momentos. Como quando eu e a avó fizemos um bolo para "cantar os parabéns" ao 25 de Abril, mas no fim fui a um jantar do Bloco de Esquerda.
Lembro-me do ano em que o avô estava no hospital. E lembro-me de ir visitá-lo.
Nunca dei tanto valor a esse dia do mês como agora, que não posso festejá-lo.
Por outro lado, como disse, sinto saudade em antecipação. Custa-me pensar que um dia vou perder tudo o que tenho aqui. Que vai ficar só na memória. As amizades vão ficar, sim. Mas nem tudo se pode repetir. E brevemente isto vai acabar.
Por isso, quero prolongar ao máximo.
Sei que, se quando me for embora, me custar muito, é porque foi muito bom. Mas nem todos os dias somos optimistas. Nem sempre podemos pensar só no lado bom da coisa.
Hoje penso nas saudades. No passado e no futuro.

