sexta-feira, 17 de abril de 2009

Saudades

Disse que não era uma pessoa saudosa. Adapto-me bem. Sim, se não pensar. E ando mais calma. Tenho mais tempo para mim. Mais tempo para pensar. E ando saudosa. Saudosa não do que ficou. Saudosa do passado e saudosa por antecipação. Tenho saudades por antecipação do que vou perder aqui. Não consigo parar de pensar que vou a meio caminho.

Saudades porque é Abril. E vêm-me à lembrança os 25 de Abril passados. Ultimamente penso muito num 25 de Abril (não sei quando) que fomos para casa do Paulo e da Olga. E nós, os filhos, ouvimos a Grândola Vila Morena sem parar.
Lembro-me de outro ano (quem sabe o mesmo), com a Rebeca e a Maria, em que eu gritava "25 de Abril sempre, baptismo nunca mais". Se não me engano, o Cavaco Silva era primeiro-ministro na altura. É que lembro-me das pessoas dizerem "e quem não salta é laranjinha".
Lembro-me de muitas outros gritos, muitos outros momentos. Como quando eu e a avó fizemos um bolo para "cantar os parabéns" ao 25 de Abril, mas no fim fui a um jantar do Bloco de Esquerda.
Lembro-me do ano em que o avô estava no hospital. E lembro-me de ir visitá-lo.

Nunca dei tanto valor a esse dia do mês como agora, que não posso festejá-lo.

Por outro lado, como disse, sinto saudade em antecipação. Custa-me pensar que um dia vou perder tudo o que tenho aqui. Que vai ficar só na memória. As amizades vão ficar, sim. Mas nem tudo se pode repetir. E brevemente isto vai acabar.
Por isso, quero prolongar ao máximo.

Sei que, se quando me for embora, me custar muito, é porque foi muito bom. Mas nem todos os dias somos optimistas. Nem sempre podemos pensar só no lado bom da coisa.

Hoje penso nas saudades. No passado e no futuro.

La Carta

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Sorrio à vida, fazendo por esquecer que ela nem sempre me deu razões para isso. Mas deu-me tanto de bom, sorrio-lhe pois.

Avó.

JR Favela Providência


Une nouvelle maison est née dans la Favela Providencia a Rio grace au projet 28 Millimetres. L'Inauguration du centre culturel le 25 avril en haut de la favela avec une expo montée par les enfants du quartier...

JR
in http://www.jr-art.net

terça-feira, 14 de abril de 2009

Expo de rue



Wazemmes, Lille
Março 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mummy qui!

A primeira coisa que a mummy fez quando chegou cá a minha casa foi tirar fotografias a tudo o que era espaço. Por isso, já agora, mostro a minha casinha que ainda não tinha mostrado :)


Mas engano-me, foi a segunda coisa. A primeira e constante, foi saber se eu queria que me arrumasse o quarto, dobrasse as meias, lavasse a loiça.. ou a casa de banho. A Joana bem disse 'coitadinha.. tiveste tanto trabalho a arrumar o quarto'.

Também temos fotografias do Hotel dela. Não que valesse muito apena, que, coitadinha, nem esticar os braços naquele quarto conseguia. E segunda consta, ouvia barulho toda a noite.

De resto, andámos por Perugia. Apresentei-lhe os meus amigos e os lugares que gosto.




Pode-se dizer que este foi o pior restaurante em que comemos... gorduroso, gorduroso, gorduroso.

Também fui mostrar o edifício principal da minha faculdade e a vista!

Hoje foi o nosso último dia juntas por cá. Fomos a Siena. Cheio de gente, tal como Florença (que não temos nem uma única foto!). Mas acho que a mãe gostou e eu também.
Mas acho que já estávamos um bocadinho fartas de passeios, esperas de autocarros e comboios.

Mas foi muito bom ter-te por cá. Espero que tenhas gostado de ver onde vivo, como vivo, de ter conhecido os meus amigos. Espero que tenhas gostado.

Obrigada por tudo e beijinhos.

sexta-feira, 10 de abril de 2009


Gent, Bélgica
Março 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Marco Polo imaginava responder (ou Kublai imaginava a sua resposta) que quanto mais se perdia em bairros desconhecidos de cidades longínquas, mais compreendia as outras cidades que tinha atravessado para chegar até lá (...).
Nesta altura Kublai Kan interrompia-o ou imaginava interrompê-lo, ou Marco Polo imaginava que era interrompido, com uma pergunta como: - Caminhas sempre de cabeça virada para trás? - ou: - O que vês está sempre nas tuas costas? ou melhor: - A tua viagem só se faz no passado?

(...)

- Viajas para reviver o teu passado? - era agora a pergunta do Kan, que também podia ser formulada assim: - Viajas para achar o teu futuro?
E a resposta de Marco: - O algures é um espelho em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu, descobrindo o muito que não teve nem terá.

Italo Calvino, As Cidades Invisíveis

Mimi the Clown



Mimi the Clown
Wazemmes, Lille
Março 2009

sábado, 4 de abril de 2009

Erykah Badu Stencil

The Dude Company
Wazemmes, Lille
Março 2009
Das coisas que mais gosto por aqui é que tenho um senhor que toca acordeão à minha janela. Às vezes acordo com a música dele, outras almoço à janela, em vez de ir para o jardim.







Maastricht, Holanda
Março 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Novidades

Não tenho dado muitas novidades, mas a verdade é que não tenho tido muito tempo.
Cheguei da Holanda na semana passada e no fim de semana passado fui a Siena e a Florença.
A Siena fui com a Joana e com a Fernanda. Tinha prometido à Fernanda que ia com ela porque ela se vai embora amanhã para o Brasil. Adorei Siena, mas é parecidinho com Perugia.


A Florença fui eu e a Joana para irmos ao concerto de Skatelites. Foi dos melhores concertos que fui nos últimos tempos. Estava cansadíssima e sem muita vontade de ir, mas valeu imenso a pena. Fez-me lembrar alguns concertos do FMM. Uns velhinhos cheios de garra, a abanarem-se imenso. A vibrarem imenso.


Ando contente, já não é só festas e festas. Também há concertos e ontem até fui ao teatro. A minha ex-roommate tinha convites e convidou-me. Não percebi nada da peça, mas ainda deu para rir bastante. E mãe, lembrei-me de ti, ias gostar da peça, uma das actrizes deu puns durante dois minutos.

De resto, mais uma vez as despedidas recomeçaram aqui em Perugia. Agora é a vez da Fernanda ir embora. Quarta fizemos um jantar cá por casa e hoje vamos para a Fontana para nos despedirmos.



Amanhã é mais uma noite de festa portuguesa no Downtown.

Beijinhos

Why G8?



Nijmegen, Holanda
Março 2009
"Não percebo", disse a menina Vauthier, desorientada. "A sua mãe é muito crente, muito piedosa: e tem tanto medo da morte!" (...) a Mamã não temia nem Deus nem o diabo: só temia ser obrigada a deixar a vida terrena. A minha avó sabia que estava a morrer. Disse com ar contente: "Vou comer mais um ovinho cozido e depois vou ao encontro de Gustave". (...) A mamã amava a vida como eu e sentia face à morte a mesma revolta que eu. Durante a sua agonia, recebi muitas cartas que comentavam o meu último livro: "Se não tivesse perdido a fé, a morte não a aterrorizaria tanto", escreviam alguns devotos com uma cruel comiseração. Outros leitores generosos animavam-me: "Desaparecer, não significa nada: a sua obra permanecerá". E a todos eles eu respondia interiormente que estavam equivocados. A religião da minha mãe ou a esperança num sucesso póstumo não podiam valer-nos. A imortalidade celeste ou terrena não é uma consolação da morte quando se quer tanto viver.

(...)

Não existe uma morte natural, nada do que acontece ao ser humano é natural já que a sua presença põe o próprio mundo em questão. Sim, todos os homens são mortais; mas, para cada um deles, a sua própria morte é um acidente e, mesmo se a conhece e aceita, uma violência ilegítima.

Simone de Beauvoir, Uma Morte Suave