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terça-feira, 12 de agosto de 2008

Existirá algum prazer mais doce do que o de ver um povo entregar-se à alegria num dia festivo, e todos os corações desabrocharem aos raios expansivos do prazer que passa, rápida mas intensamente, através das nuvens da vida?

Jean-Jacques Rousseau, Os devaneios do caminho solitário
Vi que, para praticar o bem com prazer, me era necessário agir livremente sem constrangimento, e que, para me retirar todo o prazer a uma boa acção. bastava que ela se transformasse em dever.

(...)

Quer sejam os homens, o dever, ou mesmo a fatalidade quem comanda, sempre que o meu coração se cala, a minha vontade fica surda, e eu não sou capaz de obedecer. Vejo o mal que me ameaça e deixo-o chegar, em vez de agir para o evitar. Começo por vezes com esforço, mas esse esforço cansa-me e depressa me esgota, e não sou capaz de continuar. Em todas as coisas imagináveis, aquilo que não faço com prazer logo se me torna impossível de levar a cabo.

Jean-Jacques Rousseau, Os devaneios do caminho solitário
Mas se existe um estado em que a alma encontra apoio suficiente sólido para nele descansar totalmente e reunir todo o seu ser, sem necessidade de lembrar o passado nem de avançar para o futuro; em que o tempo nada seja para ela, em que o presente dure para sempre sem, no entanto, acusar essa duração e sem deixar rastos de continuidade, sem nenhum outro sentimento de privação ou de gozo, de prazer ou de pena, de desejo ou de receio, a não ser o da nossa existência, e em que esse sentimento baste para encher toda a alma, enquanto esse estado durar, quem o vive pode considerar-se feliz (...).

Jean-Jacques Rousseau, Os devaneios do caminhante solitário