quarta-feira, 11 de março de 2009

Mais Roma








Vejo-te muito severo com o pobre do salomão, Talvez seja por causa da história que um dos ajudas me acabou de contar, Que história é essa, perguntou o comandante, A história de uma vaca, As vacas têm história, tornou o comandante a perguntar, sorrindo, Esta, sim, foram doze dias e doze noites nuns montes da galiza, com frio, e chuva, e gelo, e lama, e pedras como navalhas, e mato como unhas, e breves intervalos de descanso, e mais combates e investidas, e uivos, e mugidos, a história de uma vaca que se perdeu nos campos com a sua cria de leite, e se viu rodeada de lobos durante doze dias e doze noites, e foi obrigada a defender-se a defender o filho, uma longuíssima batalha,a agonia de viver no limiar da morte, um círculo de dentes, de goelas abertas, as arremetidas bruscas, as cornadas que não podiam falhar, de ter de lutar por si mesma e por um animalzinho que ainda não se podia valer, e também aqueles momentos em que o vitelo procurava as tetas da mãe, e sugava lentamente, enquanto os lobos se aproximavam, de espinhaço raso e orelhas aguçadas. Subhro respirou fundo e prosseguiu, Ao fim dos doze dias a vaca foi encontrada e salva, mais o vitelo, e foram levados em triunfo para a aldeia, porém o conto não vai acabar aqui, continuou por mais dois dias, ao fim dos quais, porque se tinha tornado brava, porque aprendera a defender-se, porque ninguém podia já dominá-la ou sequer aproximar-se dela, a vaca foi morta, mataram-na, não os lobos que em doze dias vencera, mas os mesmos homens que a haviam salvo, talvez o próprio dono, incapaz de compreender que, tendo aprendido a lutar, aquele antes conformado e pacífico animal não poderia parar nunca mais.


José Saramago, A Viagem do Elefante

terça-feira, 10 de março de 2009




Termini, Roma
8 Março 2009

Roma

Fui a Roma este fim de semana que passou com a Joana e com a Asli. Finalmente acho que posso dizer que não me desiludi com uma cidade italiana. Não que tenha algo de extraordinariamente bom ou que seja a cidade da minha vida. Simplesmente é uma cidade grande, cheia de gente, cheia de italianos, de imigrantes, de jovens, idosos, turistas. Tem tudo. Não é como Perugia, pequenino pequenino. Não é como Florença, onde só se vê turistas e máquinas fotográficas.



Florença é lindo, sem dúvida. Mas esperava mais. O ambiente é tudo numa cidade. E Roma tem. E acho que exemplifica muito bem como são os italianos.

Nomeadamente, chegámos ao hostel (que tínhamos pago reserva) e disseram-nos que não sabiam de nada, que não tinham cama para as três, só para duas. Tendo em conta que em Roma todos os hostels enchem lá aceitámos, não sem tentar receber o dinheiro, mas o patrão nunca aparecia...

Mas foi giro o fim de semana. Lá fizemos o nosso percurso turístico no Sábado. À noite planeámos ir para Trastevere beber umas cervejas, ver se conhecíamos alguém, mas acabámos a comer gelados na fonte. Mas Trastevere é um Bairro Alto. Deu-me tantas saudades. Acho que é das coisas que mais sinto falta em Lisboa.

Acho que estamos a chegar ao limite do cansaço. Pelo menos eu estou. Sinto-me como no fim do interrail, já nem consigo andar. Foi o que nos aconteceu no domingo em Roma. Queríamos apanhar um autocarro para perto do Vaticano, mas metemo-nos logo no primeiro que apareceu, o 14. Começámo-nos a aperceber que estávamos a entrar nos subúrbios. Cada vez mais... o mais rídiculo é que andámos neste 14 umas duas ou três vezes, porque nada mais aparecia. O que precisávamos mesmo era do 19. Depois de horas à espera do 19, lá apareceu. Não sei quanto tempo ficámos lá dentro. Sei que fomos para os mesmos subúrbios. Passámos para os subúrbios ricos de Roma. Ainda consegui dormir. Lá saímos quando vimos o rio. Lá andámos até ao Vaticano, mas acho que nenhuma de nós queria andar mais. Limitámo-nos a sentar na Praça de S. Pedro e apanhar sol. É que aqui em Perugia ainda é Inverno. Em Roma é Verão :)

quinta-feira, 5 de março de 2009

7 coisas que me fazem sorrir

Acho que para mim me é mais fácil rir à gargalhada que sorrir.
Mas, inspirada pelas minhas irmãs, aqui vão sete coisas que me fazem sorrir, aqui longe:

1- Olhar para a fotografia do avô aqui no meu quarto aqui em Perugia
2- Quando recebo mensagens, emails, telefonemas de Lisboa
3- Perceber que faço um bocadinho de falta
4- Ler este mesmo post da Sara (http://devaneiosdecabeceira.blogspot.com) e da Ana (http://raizescomletras.blogspot.com/)
5- Lembrar-me de bons momentos passados
6- Cantar e dançar músicas com significados
7- Falar com a avó no skype antes de me ir deitar

Notícias

Tendo em conta os pedidos, acho que tenho que contar mais ou menos o que se passa aqui.

Bom, nem sei por onde começar. Um mês aqui passa a correr e ao mesmo tempo parece o dobro do tempo.

Mas esta semana começou uma nova fase de Erasmus. Muita gente vem a Perugia fazer o curso de línguas e no fim de Fevereiro vai-se embora. Portanto o fim de semana que passou foi de despedidas e esta semana tem sido muito calma. Acho que pela primeira vez desde aqui estou tive tempo para dormir e para me sentir aborrecida.

Apesar disso, a maioria das pessoas que se foram embora nem sequer eram muitos importantes. Mas eram caras conhecidas, caras que enchiam os nossos espaços.

Mas desde ontem tou mais animada outra vez. Hoje tenho uma festinha cá em casa. E a seguir vamos para o Downtown, onde, eu e a Joana, vamos ser, pela segunda vez, as Dj's.

Claro que isto de ser Dj aqui em Perugia não é para ser levado a sério. Pomos do mais parolo que se possa imaginar, pois a regra é pôr coisas que animem os Erasmus aqui. E bom gosto musical é o que falta nestas festas. Mas acho que tudo é uma questão de adaptação. Eu bem me queixei durantes as duas primeiras semanas e agora vou fazê-lo. Mas sempre é um dinheiro extra que entra e divertimo-nos imenso.

Quanto à faculdade, comecei as aulas esta semana. Aí em Lisboa dizia sempre que mais desorganizado que a FCSH era impossível. Bem-vinda a Itália. Praticamente todas as cadeiras que escolhi tinham o mesmo horário, ninguém sabe dar informações, não tenho um coordenador aqui e já fiquei uma hora à espera que uma professora chegasse à aula.
Basicamente, faço o que quero e depois logo se vê. Por outro lado, das quatro cadeiras que já consegui assistir, estou a adorar duas delas (Direitos Humanos e História da Publicidade). Os professores aqui parecem gostar bastante mais daquilo que fazem ou então sou eu que gosto mais do discurso deles aqui.

Também quero saber novidades de Lisboa. Fico à espera de emails!

Beijinhos

segunda-feira, 2 de março de 2009


Perugia, Itália
1 Março 2009

domingo, 1 de março de 2009


Perugia, Itália
1 Março 2009

Florença, Itália
22 Fevereiro 2009

sábado, 28 de fevereiro de 2009


Florença, Itália
22 Fevereiro 2009

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Rebels


Florença, Itália
22 Fevereiro 2009

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009



Florença, Itália
22 Fevereiro 2009

domingo, 22 de fevereiro de 2009


Dalaiama, ...
Fevereiro 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Waltz with Bashir


"Lorsqu'ils sont partis, à 23h30, j'ai avalé un demi-verre de whisky et j'ai telephoné à Ariel Sharon, à son ranch. Arik était à moitié endormi mais je lui ai dit: "On raconte qu'il y a un massacre dans les camps, que les Palestiniens sont massacrés. Il faut arrêter tout ça". Alors il m'a demandé: "Tu l'as vu toi-même?" J'ai répondu: "Pas moi, mais suffisamment de gens en témoignent." Il a dit: "Ok. Merci d'avoir attiré mon attention sur le sujet." Et c'est tout."

"Tu ne te souviens pas du massacre parce que, pour toi, le premier cercle, celui des assassins. et ceux qu'ils entourent constituent un seul et même cercle. À 19 ans, tu t'es senti coupable, endossant le rôle du nazi malgré toi."


"J'ai vu énormément de destructions dans les camps. Et soudain, je vois un petit main, une main d'enfant sortant des décombres. Je regarde encore et je vois de boucles, une tête bouclée, couverte de poussière. C'est pour ça que je ne l'aivais pas remarquée, mais c'était une tête visible jusqu'au nez. Une main et une tête, Ma fille avait presque le même âge et la même tête bouclée (...) J'ai alors compri que je voyais les résultats du massacre."


Waltz with Bashir, de Ari Folman

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Perugia é uma cidade giríssima para fazer Erasmus. Sem dúvida. É uma cidade universitária e é pequena, ou seja, não há praticamente nada além de estudantes e da vida destes. Mas tenho que dizer que o que me anda frustrar um bocado é o facto de não encontrar muitas coisas nas paredes.
Não sei bem desde quando, talvez desde a primeira vez que fui a Berlim (que não foi há muito tempo), comecei a ficar fascinada com street art e tal tornou-se um dos elementos principais nas minhas viagens.
Fiz interrail este Verão e acho que os meus amigos já não podiam com as minhas fotografias. De repente chego a Lisboa e sinto-a diferente. Começa a encantar-me.
Comecei a ir tirar fotografias como nunca tinha feito por Lisboa.
Mas agora vim para Perugia e posso dizer que se há algo que realmente me frustra é não sentir o elemento de arte urbana.

Por outro lado, quantas vezes me perguntaram porque é que eu estudava Ciência Política e Relações Internacionais se depois queria ir para audiovisuais ou algo ligado ao estudo das artes. Tendo em conta que aqui vou fazer algumas cadeiras de audiovisuais, ia tentar "provar" a relação entre arte, nomeadamente street art, e política ou relações internacionais. Apesar da relação me parecer algo óbvia, estou um bocado receosa de não o conseguir fazer.

Por outro lado, ando aqui a pesquisar que cidades visitar por Itália. Hei-de ir a Ancona ver se ainda vejo alguma coisa do PopUp (http://popup2008.blogspot.com/) e ver se visito La Cupa (www.viadellacupa.it), um projecto que me pareceu bastante interessante, dentro da área da política e das artes!