sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Nada mais que Berlim

Berlim. Berlim deixa-me extasiada, deixa-me feliz. Toda eu sou sorrisos, sou pulos. Sou a criança que se delicia com qualquer brincadeira. É assim que Berlim me deixa. “E nada há-de me tirar deste estado de felicidade enquanto aqui estiver”.


Berlim é a simpatia das pessoas. É a história. É a cultura. É a cidade escura, malparecida, que é a cidade colorida e bonita. É a festa constante.




Berlim, não sei o que é.


Berlim foi a minha explosão. Ainda assim, Berlim é Berlim. E nada há de melhor que Berlim.

Haia e Amesterdão

Lembro-me que fiquei bastante surpreendida ao chegar à Holanda. Não a imaginava tão agradável. Não que as pessoas fossem especialmente simpáticas, não eram.
Mas vivem na rua. Vivem nos cafés. Vivem nos jardins. Vivem nas janelas.




(Haia)





(Amesterdão)



(Haia)

Só da noite me fica a ideia da decadência Não sei se do turismo ou se de um povo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A viagem continua

Agora Paris terminou. Já não há jardins. Já não há Belleville.

Por agora, a espera interminável parou. Por agora, adormecemos no comboio.



Já não há a assustadora Gare du Nord ou os copos de leite do café da frente. Felizmente, já não há dois senhores.

Desta vez a mochila safou-se. Saiu do cacifo pelas mãos certas.

Já não se ouve "mais ouais an". (ouvir-se-á) mas da boca de portugueses.

Agora o rumo é outro. As histórias serão outras.

Agora chegou a vez da Holanda.

Contar uma viagem



Não gosto de contar uma viagem no presente.

Gosto de contar as memórias de uma viagem. Porque não tenho jeito para o presente. Porque me arrependo do presente. Porque as memórias são o que de mais importante se passou. São o ponto mais alto e o ponto mais baixo.

Por isso gosto de contar o que foi, não o que é.
Por vezes não gosto de contar. Gosto de mostrar. Mostrar a paz, a calma, a felicidade. Porque ás vezes contar não é suficiente. É preciso ver.

Às vezes contar gasta. Farta o acontecimento. Tira a emoção.

Por isso há aventuras de Paris não fotografadas que não vão ser narradas. Vão ser apenas recordadas ou, um dia, faladas, com o maior dos entusiasmos por quem as viveu.

Começar uma viagem

Confesso que a barriga me dói quando me vejo a pôr a mochila às costas.

Tanto tempo desejei, tanto tempo esperei, mas quando chega o momento...

Tenho um mau pressentimento. Não me quero ir embora. Devia ficar. Não sei o que perco aqui.

Porque não posso fazer tudo?

Mas quando largo tudo, quando me vejo a embarcar. Quando desembarco. Tudo é diferente.

É a excitação de chegar ao Hotel, de encontrar quem nos espera. De ver o quarto. Torcer ou não o nariz perante a casa de banho. O pequeno almoço.

E ir embora conhecer um novo mundo. Ou conhecê-lo outra vez.

Não adoro.. ou adoro?

Às vezes perguntam-me se gostei de algo e instintivamente respondo que não ou um sim amarelado.
Ficam com a impressão de que não gostei; ou não gostei muito. Simplesmente que não adorei.
Paro e penso "Por que dei aquela resposta?" Eu até gosto. Eu até adorei.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sempre preferi acusar-me do que ao universo; não por bonomia: para só de mim depender.

Palavras, Jean-Paul Sartre
Todas as religiões partem de um princípio falso Sophie - disse-me, um dia - , todas supõem indispensável o culto de um ser criador. (...) Ah, Sophie, acredita, esse deus que tu admites é apenas o fruto da ignorância, de um lado, e da tirania, do outro. Quando o mais forte quis acorrentar o mais fraco, persuadido de que um deus santificava as grilhetas que o tolhiam; e este, embrutecido pela sua miséria, acreditou sem dificuldade no que o outro queria."

Os Infortúnios da Virtude, Marquês de Sade
É tão bom voltar a casa.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Hoje é o dia

Um dia ponho a mochila às costas e vou conhecer o mundo.

Hoje é o dia.


Nicola. Encontros perfeitos

Njatigi (Host)

Host, O great host please receive your visitors and accept them with open hearts. Respect them, guide them, and make them feel at home because this will mean a lot to them. When you say welcome to a visitor, one day you will have to say goodbye to them as well, therefore be patient and tolerant to visitors for they come and go. Hold them with warmth and goodness because they are far from home and acceptance is all they need.

Justin Adams and Juldeh Camara
Existirá algum prazer mais doce do que o de ver um povo entregar-se à alegria num dia festivo, e todos os corações desabrocharem aos raios expansivos do prazer que passa, rápida mas intensamente, através das nuvens da vida?

Jean-Jacques Rousseau, Os devaneios do caminho solitário
Vi que, para praticar o bem com prazer, me era necessário agir livremente sem constrangimento, e que, para me retirar todo o prazer a uma boa acção. bastava que ela se transformasse em dever.

(...)

Quer sejam os homens, o dever, ou mesmo a fatalidade quem comanda, sempre que o meu coração se cala, a minha vontade fica surda, e eu não sou capaz de obedecer. Vejo o mal que me ameaça e deixo-o chegar, em vez de agir para o evitar. Começo por vezes com esforço, mas esse esforço cansa-me e depressa me esgota, e não sou capaz de continuar. Em todas as coisas imagináveis, aquilo que não faço com prazer logo se me torna impossível de levar a cabo.

Jean-Jacques Rousseau, Os devaneios do caminho solitário
Mas se existe um estado em que a alma encontra apoio suficiente sólido para nele descansar totalmente e reunir todo o seu ser, sem necessidade de lembrar o passado nem de avançar para o futuro; em que o tempo nada seja para ela, em que o presente dure para sempre sem, no entanto, acusar essa duração e sem deixar rastos de continuidade, sem nenhum outro sentimento de privação ou de gozo, de prazer ou de pena, de desejo ou de receio, a não ser o da nossa existência, e em que esse sentimento baste para encher toda a alma, enquanto esse estado durar, quem o vive pode considerar-se feliz (...).

Jean-Jacques Rousseau, Os devaneios do caminhante solitário

The Last Poets






FMM, Julho 2008